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Criptomoeda para iniciantes: como comprar sua primeira fração sem cair em golpe

blog.adrianosolucoes.com.br⏱ 8 MIN ·

Você já viu alguém no grupo da família falando que dobrou o dinheiro com Bitcoin e ficou com aquela pulga atrás da orelha? Ou então apareceu um anúncio no Instagram prometendo 30% de retorno garantido em cripto e você quase clicou? Pois é. Criptomoeda virou assunto de churrasco, mas a maioria das pessoas ainda não sabe por onde começar de verdade. Este guia é pra você que quer entender o básico, dar o primeiro passo com segurança e, principalmente, não cair em cilada.

O que é criptomoeda, afinal?

Criptomoeda é um tipo de dinheiro digital que existe só na internet e não é controlado por nenhum banco ou governo. Pense assim: o Real é emitido pelo Banco Central do Brasil. O Bitcoin, a criptomoeda mais famosa, é emitido por um sistema automático de computadores espalhados pelo mundo inteiro. Ninguém manda nele sozinho.

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O nome "cripto" vem de criptografia, que é a tecnologia de segurança que protege cada transação. Cada movimentação fica registrada num banco de dados público chamado blockchain, que funciona como um livro contábil gigante que qualquer um pode conferir, mas ninguém consegue apagar ou falsificar. É diferente de uma transferência bancária, que passa pelo sistema de um banco e pode ser revertida.

Criptomoeda para iniciantes: como comprar sua primeira fração sem cair em golpe

Existem milhares de criptomoedas. Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) são as mais conhecidas e com mais credibilidade. Depois vêm outras, como Solana, BNB e até as famosas meme coins, que são moedas criadas em cima de memes ou piadas da internet. Dogecoin e Shiba Inu são os exemplos mais clássicos. Podem render muito, mas também podem ir a zero do dia pra noite. Spoiler: iniciante não deve começar por meme coin.

Você não precisa comprar um Bitcoin inteiro

Esse é o maior mito que afasta as pessoas. Um Bitcoin hoje custa dezenas de milhares de dólares, então muita gente pensa que precisa de uma fortuna pra entrar. Não precisa. Você consegue comprar uma fração pequeníssima de Bitcoin, como 0,001 BTC ou até menos. No Brasil, algumas exchanges (as plataformas onde você compra cripto) permitem começar com R$ 50 ou até menos.

A menor unidade do Bitcoin se chama Satoshi, em homenagem ao criador anônimo da moeda. Um Bitcoin equivale a 100 milhões de Satoshis. Ou seja, mesmo com pouco dinheiro, você já está dentro do sistema. Isso não significa que vai enricar rápido. Significa que a barreira de entrada é bem menor do que parece.

Como comprar sua primeira fração: passo a passo

Antes de sair comprando, você precisa de uma conta em uma exchange, que é basicamente uma corretora de criptomoedas. No Brasil, as mais usadas e com boa reputação são Mercado Bitcoin, Foxbit e Coinbase (essa última é americana, mas aceita brasileiros). Para quem já tem conta em corretora de investimentos tradicional, plataformas como Nubank e BTG também permitem comprar cripto direto pelo app.

  1. Escolha uma exchange conhecida. Pesquise o nome dela no Google junto com palavras como "golpe" ou "reclamação". Se aparecer muito problema, fuja.
  2. Crie sua conta e faça o cadastro completo. Toda plataforma séria pede CPF, foto do documento e selfie. Isso é obrigatório por lei e é sinal de que a empresa está regularizada.
  3. Ative a verificação em duas etapas. Vai aparecer um código extra toda vez que você fizer login. Parece chato, mas protege sua conta de invasão.
  4. Deposite um valor pequeno. Você pode usar PIX para depositar em reais. Comece com um valor que não vai te fazer falta, tipo R$ 100. O objetivo aqui é aprender como funciona.
  5. Compre sua primeira fração. Procure por Bitcoin ou Ethereum, escolha o valor em reais que quer investir e confirme. Pronto. Você agora tem cripto.

Não tem segredo nenhum no processo técnico. O difícil mesmo é a parte de escolher em quem confiar e resistir à pressão de investir mais do que pode perder.

Os golpes mais comuns (e como reconhecê-los)

Aqui está a parte mais importante deste artigo. O mercado de criptomoedas atrai muita gente mal-intencionada justamente porque as transações são irreversíveis. Mandou cripto pro lugar errado? Dificilmente você recupera. O banco não vai te ajudar. Por isso, conhecer os golpes antes de entrar é fundamental.

Promessa de retorno garantido?

Nenhum investimento sério garante lucro. Bitcoin pode subir 50% em um mês e despencar 40% no mês seguinte. Qualquer plataforma ou pessoa que te prometer "2% ao dia" ou "30% ao mês garantido" é golpe. Simples assim. No Brasil, esquemas como esse já causaram prejuízos de bilhões de reais. A GAS Consultoria, a Trust Investing e outras vieram com esse papo e quebraram levando o dinheiro das pessoas.

Grupos de WhatsApp e Telegram com "sinais" de investimento

Você entra num grupo, vê todo mundo comemorando lucros, as pessoas postam prints de ganhos absurdos e alguém te convida a colocar dinheiro numa plataforma desconhecida. Isso se chama "pump and dump": um grupo de pessoas infla o preço de uma moeda barata, outros compram achando que vai subir, e quem estava desde o início vende tudo no pico, deixando os novatos com prejuízo. Fuja de grupos que empurram moedas desconhecidas.

"Me manda cripto e devolvo o dobro"

Esse golpe ficou famoso quando hackers invadiram contas verificadas do Twitter (hoje X) de celebridades e empresas para postar mensagens dizendo que iam dobrar qualquer envio de Bitcoin. Muita gente mandou. Ninguém recebeu de volta. Se um famoso ou uma empresa grande está "oferecendo" cripto de graça nas redes sociais, é golpe. Sempre.

Aplicativos falsos

Tem gente que cria apps parecidos com os das exchanges reais, com o mesmo nome e logo parecido. Você baixa, cadastra seus dados, deposita dinheiro e o app some. Sempre baixe pelo site oficial da exchange ou pela loja oficial do seu celular. Confira o nome do desenvolvedor antes de instalar.

Se você não consegue sacar seu dinheiro com facilidade, a plataforma provavelmente é fraude. Teste sempre com um saque pequeno antes de depositar valores maiores.

Onde guardar sua cripto com segurança

Quando você compra cripto numa exchange, ela fica guardada lá, na conta da plataforma. Isso é prático, mas tem um risco: se a exchange quebrar ou for hackeada, você pode perder tudo. Isso já aconteceu com a FTX, uma das maiores exchanges do mundo, que faliu em 2022 e deixou clientes sem acesso aos seus ativos.

Para valores pequenos, deixar na exchange é aceitável. Mas se você pretende guardar uma quantia maior por muito tempo, vale conhecer as chamadas carteiras digitais. Elas são de dois tipos:

Qualquer que seja a carteira, você vai receber uma frase de recuperação, uma sequência de 12 ou 24 palavras em inglês. Anote no papel, guarde num lugar seguro e nunca, jamais, mostre pra ninguém. Essa frase dá acesso total à sua cripto. Se alguém te pedir ela, é golpe na certa.

Quanto colocar e como pensar nisso

Cripto é um ativo de alto risco. O preço varia muito, e não tem como prever quando sobe ou desce. Profissionais de finanças costumam sugerir que criptomoeda ocupe no máximo 5% a 10% do seu portfólio de investimentos, e só depois de você já ter uma reserva de emergência e outros investimentos mais seguros, como Tesouro Direto ou CDB.

Se você nunca investiu antes, cripto não é o melhor ponto de partida. Mas se você já tem uma base e quer colocar uma pequena fatia em algo de maior risco com potencial de crescimento, Bitcoin e Ethereum são os mais consolidados. Não é indicação de investimento. É só contexto para você pensar com mais clareza.

Uma estratégia usada por muita gente chama DCA (Dollar Cost Averaging, ou Preço Médio). A ideia é simples: em vez de colocar tudo de uma vez e torcer para não ser no pior momento, você investe um valor fixo todo mês. R$ 100 em Bitcoin todo dia 5, por exemplo. Assim, você compra em momentos diferentes, quando o preço está alto e quando está baixo, e vai formando um preço médio de entrada ao longo do tempo.

Preciso declarar cripto no Imposto de Renda?

Sim. A Receita Federal exige que criptomoedas com valor acima de R$ 5.000 sejam declaradas como bens. Se você vender e tiver lucro acima de R$ 35.000 no mês, precisa pagar imposto sobre o ganho. Muita gente ignora isso e se complica depois. Se tiver dúvida, consulte um contador.

O que fazer agora

Se o tema despertou curiosidade, o próximo passo é simples: abra uma conta no Mercado Bitcoin ou no Nubank (se já usar o app), deposite R$ 50 e compre uma fração pequena de Bitcoin só pra sentir como funciona. Observe o valor subindo e descendo. Acostume-se com essa volatilidade antes de colocar qualquer valor significativo. Leia sobre o assunto em fontes sérias, fuja de grupos de WhatsApp que prometem riqueza fácil e desconfie de qualquer coisa que pareça boa demais para ser verdade. Porque, no mercado de cripto, quando parece bom demais, quase sempre é golpe.